Casos de feminicídio motivam debate entre parlamentares

Em 10/04/2017
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O recente crime de feminicídio cometido por Edvan Luiz da Silva, contra a fisioteurapeuta Mirella Sena, em um flat em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, foi destaque no pronunciamento da deputada Simone Santana, do PSB. A parlamentar, que ocupa a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Alepe, afirmou que o machismo mata todos os dias as mulheres no País. “Estamos morrendo todos os dias em decorrência de uma cultura machista que segrega, reprime, exclui e mata.”

A deputada salientou a necessidade de políticas públicas para conscientizar, prevenir e evitar o machismo. “Conto com todos e todas desta Casa para gente permanentemente estar aqui discutindo esse assunto e também que esse fato sirva de reflexão para que a gente possa, para que a sociedade de uma forma geral, homens e mulheres, possam desconstruir esse machismo tão arraigado.”

Em aparte, Terezinha Nunes, do PSDB, afirmou que Mirella não foi só morta, mas também torturada. Para ela, o crime causou perplexidade e as mulheres morrem por intolerância de gênero.

Waldemar Borges, do PSB, afirmou que o desrespeito à condição feminina distorce uma sociedade que, segundo ele, consegue avançar em várias áreas, mas repete comportamentos das barbáries em questões sociais.

Teresa Leitão, do PT, lamentou que o feminicídio e a intolerância avancem. A petista criticou a colocação da mulher como objeto de desejo. “Mirella era a síntese de tudo que os homens não aceitam. Os homens e a mentalidade machista. Bonita, jovem, independente, autônomo e não queria ele.”

Priscila Krause, do Democratas, ressaltou o equívoco da culpabilização da vítima. “Em todos os casos, uns mais outro menos, no caso de assédio muito mais, no caso do feminicídio um pouco menos, mas sempre a gente encontra um viés onde há uma justificativa para o comportamento da vítima que ensejou essa reação.”  O líder da Oposição, Sílvio Costa Filho, do PRB, lamentou que os relatos machistas estejam presentes no dia a dia de muitas mulheres pernambucanas e sugeriu uma audiência pública sobre o tema.

Gustavo Negromonte, do PMDB, defendeu mais participação dos homens nos debates sobre questões de gênero. Rodrigo Novaes, do PSD, relatou o assassinato de uma jovem de dezessete anos, em Parnamirim, no Sertão Central. Ele defendeu rigor nos julgamentos e nas punições. Para Joel da Harpa, do PTN, o sentimento da população é o de impunidade. Ele sugeriu mudanças no Código Penal Brasileiro.

Isaltino Nascimento, do PSB, afirmou que falas e atos machistas contribuem com casos de feminicídio. Ele exemplificou pronunciamentos como o do deputado federal Jair Bolsonaro, do PSC do Rio de Janeiro, que disse ter fraquejado por ter quatro filhos homens e a quinta mulher.